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cloraminas

por Miguel Viegas Leal, em 30.12.13

Não é desconhecido o prazer secreto que o comum dos mortais tem em urinar numa piscina. Aliás, esse prazer só é secreto porque não há quem não tenha a vergonha de assumir que adora urinar onde os outros, e ele próprio, se banham. É difícil de perceber por que razão sentem as pessoas uma atracção por esse prazer proibido, essa fruta do pecado da nojeira. Sim! Porque é uma grande porcaria uma pessoa divertir-se nas excreções dos outros, em fluídos corporais e residuais. Louvo, por isso, quem nunca tenha entrado numa piscina. Na verdade, é de bradar aos céus.

Contudo (e porque fica sempre bem apresentar a perspectiva oposta), esses amantes da limpeza, da total ausência de restos humanos adensados à àgua das piscinas, não conhecem a beleza de sentir os olhos inchados enquanto nadam. É que a mistura quase letal de cloro com urina origina as cloraminas, uma droga bem forte, boa para pedrar. Os efeitos são admiráveis. Olhos vermelhos (como em todos os outros estupefacientes), irritação da pele e um cheiro forte a cloro que nos põem a dormir debaixo de água.

É, desde há uns meses para cá, quando tive sob efeito de cloraminas, a minha droga favorita. Foi quase uma sobredosagem. Mas adoro-a. Tudo porque é fácil, barata e dá pedradas. É pena é que não seja viciante. Muito antes pelo contrário.

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publicado às 19:01



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