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de nação a facções tribais

por Miguel Viegas Leal, em 11.11.13

Apanho-me, por vezes, a observar os rostos diversos deste país, tento neles descortinar alguma hipótese remota de contentamento porém, tudo aquilo que consigo concluir é que nenhum deles tem expressão.    Portugal anda de bochechas descaídas, barba por fazer, de testa franzida, enquanto que o olhar caído no chão nos priva de sonhar. Pergunto-me quem haverá roubado esta alma, que coleccionador terá ousado?, em que frasco estará aprisionada?, mas algo não sei vindo donde me responde que nós é que envenámos a nossa própria alma. Ninguém mais deu-lhe de beber o veneno, ninguém mais a fez implodir-se sobre si própria, ninguém mais a subestimou tanto como nós. Somente nós, todos os portugueses, somos os responsáveis, somente nós, quer sejam políticos ou cidadãos, cuspismos-lhe em cima, somente a nós, nação que somos, falta-nos uma medida mínima de arrogância.

Precisamos de um feiticeiro, um mago, um curandeiro, de alguém que nos traga a poção da humanização, e de um mestre, um orador, um praguejador que nos ensine o seu significado. A alma de Portugal anda há muito desmembrada em milionésimas outras, cada português é um patriota egoísta, detestamos pensar em colectivo. Quero lá saber dos outros, estou-me nas tintas, estou-me a cagar para o que te aconteça, o quer que faças, desde que não me chateies, não me interessa, nem um bocadinho. E é assim que a pouco e pouco vamos deixando de ser um país, perdendo aquilo que temos em comum, organizando clãs e fronteiras tribais, até que um dia, ainda que distante, acabamos todos por falar línguas diferentes e distantes.

A partir daí Portugal deixará de ser um ponto da humanidade mas sim um foco de desumanização, aquilo que todo o indivíduo da espécie humana deveria a todo o custo evitar, as únicas trevas que poderão fazer cair um Homem, uma doença terminal, um cancro contagioso, um cenário deprimente de tribos isoladas, uma morte silenciosa disfarçada de solidão.

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publicado às 21:28



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